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A raiz da crise

Nos Estados Unidos, o crescimento explosivo do governo federal ganhou força sob o comando de Roosevelt, resultando em uma tendência de intervenção estatal que se estende até hoje. O economista Murray Rothbard, da Escola Austríaca, mostrou que a Grande Depressão foi não só criada, mas também prolongada pelas tentativas do Estado de evitar uma retração econômica. A verdadeira causa da crise foi o excesso de intervenção do Estado na economia, e não a sua falta, como é defendido pela maioria. A ação do governo com o objetivo de evitar uma recessão apenas adiou e intensificou as suas conseqüências.

A atual crise é a resposta do mercado aos problemas criados pelo próprio governo dos Estados Unidos. No relativamente distante ano de 1977, o governo federal norte-americano criou o Decreto de Re-investimento Comunitário, que promoveu uma onda de “boas ações”, forçando os bancos a conceder crédito a quem não tinha como pagá-lo. Agora, veio à tona a necessidade de o mercado fazer os ajustes necessários para tentar restabelecer a ordem e aliviar as conseqüências das intromissões artificiais do Estado. A solução, mais uma vez, não são as medidas de ajuda do governo, que despertaram uma maciça oposição do contribuinte norte-americano, e sim mais liberdade de ação para que o mercado possa ajustar-se.

A face maléfica atribuída por muitos ao capitalismo, na verdade, pertence à associação entre governo e corporações que dele procuram se beneficiar. Essa união perigosa distorce o funcionamento do mercado em favor de poucos grupos privilegiados. Em uma economia regida pelo mercado, os eficientes sobrevivem, enquanto a ineficiência é eliminada. Quem ganha com isso é sempre o consumidor.

Uma pesquisa de opinião em um grande portal de internet brasileiro revelou que, quando se trata do seu dinheiro, o cidadão brasileiro também não está disposto a gastar para socorrer bancos em apuros. E quando o assunto é intervenção do Estado, é sempre o dinheiro de quem paga impostos que está em jogo. (Ou o governo tem outra fonte de renda além dessa?).

Talvez a opinião pública sobre tudo que se refere ao Estado possa ser sempre essa se as questões forem colocadas em debate de maneira mais clara. Se o cidadão for lembrado de que toda ação do governo é financiada pelo seu dinheiro. Talvez dessa maneira o contribuinte pare e pense na legitimidade da intromissão governamental às suas custas ao invés de simplesmente aceitá-la.

Jornal Agora – 17/10/08

Gazeta do Sul- 18/10/08