Archive for the ‘Economia’ Tag

Economia em uma foto

Do blog do Greg Mankiw:

Chávez e o tabelamento de preços

Do site da BBC Brasil:

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, determinou neste sábado uma intervenção militar em todas as fábricas processadoras de arroz do país.

O governo alega que as empresas têm se negado a respeitar a congelamento de preços determinada pelo Executivo e estariam deixando de produzir (…)

.

Um resumo da explicação de Henry Hazlitt sobre o assunto pode lido aqui.

O começo do fim

O que Obama falou quando assinou o tal pacote de “estímulo”:

“I don’t want to pretend that today marks the end of our economic problems. Nor does it constitute all of what we have to do to turn our economy around. But today does mark the beginning of the end.”

Bela escolha de palavras…

A raiz da crise

Nos Estados Unidos, o crescimento explosivo do governo federal ganhou força sob o comando de Roosevelt, resultando em uma tendência de intervenção estatal que se estende até hoje. O economista Murray Rothbard, da Escola Austríaca, mostrou que a Grande Depressão foi não só criada, mas também prolongada pelas tentativas do Estado de evitar uma retração econômica. A verdadeira causa da crise foi o excesso de intervenção do Estado na economia, e não a sua falta, como é defendido pela maioria. A ação do governo com o objetivo de evitar uma recessão apenas adiou e intensificou as suas conseqüências.

A atual crise é a resposta do mercado aos problemas criados pelo próprio governo dos Estados Unidos. No relativamente distante ano de 1977, o governo federal norte-americano criou o Decreto de Re-investimento Comunitário, que promoveu uma onda de “boas ações”, forçando os bancos a conceder crédito a quem não tinha como pagá-lo. Agora, veio à tona a necessidade de o mercado fazer os ajustes necessários para tentar restabelecer a ordem e aliviar as conseqüências das intromissões artificiais do Estado. A solução, mais uma vez, não são as medidas de ajuda do governo, que despertaram uma maciça oposição do contribuinte norte-americano, e sim mais liberdade de ação para que o mercado possa ajustar-se.

A face maléfica atribuída por muitos ao capitalismo, na verdade, pertence à associação entre governo e corporações que dele procuram se beneficiar. Essa união perigosa distorce o funcionamento do mercado em favor de poucos grupos privilegiados. Em uma economia regida pelo mercado, os eficientes sobrevivem, enquanto a ineficiência é eliminada. Quem ganha com isso é sempre o consumidor.

Uma pesquisa de opinião em um grande portal de internet brasileiro revelou que, quando se trata do seu dinheiro, o cidadão brasileiro também não está disposto a gastar para socorrer bancos em apuros. E quando o assunto é intervenção do Estado, é sempre o dinheiro de quem paga impostos que está em jogo. (Ou o governo tem outra fonte de renda além dessa?).

Talvez a opinião pública sobre tudo que se refere ao Estado possa ser sempre essa se as questões forem colocadas em debate de maneira mais clara. Se o cidadão for lembrado de que toda ação do governo é financiada pelo seu dinheiro. Talvez dessa maneira o contribuinte pare e pense na legitimidade da intromissão governamental às suas custas ao invés de simplesmente aceitá-la.

Jornal Agora – 17/10/08

Gazeta do Sul- 18/10/08

A CPMF e a “redistribuição” de renda

O resultado de uma pesquisa elaborada pelo IBGE divulgado na semana passada revelou que, de 2005 para 2006, o rendimento médio dos trabalhadores aumentou de R$ 824 para R$ 883. Segundo o presidente do IBGE, esse aumento se deu em função do aumento real do salário mínimo e dos programas sociais de benefícios do governo. O que poderia parecer uma ótima notícia esconde a dura realidade. No ano de 2006, cada brasileiro pagou em média R$ 4.434,68 em forma de tributos. Um aumento de R$ 447,23 em relação a 2005. A imensa carga tributária brasileira (que só é menor que a de apenas alguns países desenvolvidos) diminui o poder de compra dos salários e o consumo. Só de CPMF, cada brasileiro pagou em média R$171,76 no ano passado (no ano seguinte à criação, essa quantia foi de R$31,85).

A CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) foi criada em 1996 e o seu destino seria, supostamente, a saúde pública, que passava por crise na época. Hoje, 11 anos depois, pouco se percebe de melhorias no setor. O que se vê é o direcionamento do recurso arrecadado para outras áreas, como o Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza, de onde se originam os benefícios como o Bolsa Família, e demais fundos criados muito depois da instituição do tributo. No ano passado, 79% de todo o investimento no Bolsa Família veio da arrecadação da CPMF.

Com o prazo de vigência prestes a vencer, discute-se agora se será extinta definitivamente ou se continuará existindo “provisoriamente”. Um dos argumentos dos defensores da prorrogação é que a CPMF onera mais as camadas mais ricas da população, proporcionando maior distribuição de renda. Tal afirmativa é falsa. A CPMF incide igualmente sobre as movimentações financeiras das empresas, que repassam esses custos aos consumidores no preço das mercadorias e serviços que oferecem. Mesmo que as classes mais baixas sejam isentas de pagá-la no recebimento dos salários, acabam pagando, de qualquer maneira, através do consumo. Desse modo, o impacto negativo é ainda maior sobre os pobres, pois impostos incidentes sobre o consumo retiram proporcionalmente mais dos seus bolsos.

A redistribuição de renda implica o governo, através de coerção, tirar de uns para dar a outros, passando por cima dos direitos individuais, o que já é um grande problema. A CPMF, além disso, no final das contas, faz com que a população de baixa renda acabe financiando parte do benefício que o governo lhe “dá” através dos programas sociais.

A proposta para a prorrogação da cobrança da CPMF até 2011 já foi enviada ao Congresso. Resta saber o que os deputados federais e os senadores irão decidir dessa vez.

Gazeta do Sul (19/09/07)  e Jornal Agora (25/09/07).